Batata Sem Umbigo

31 de dezembro de 2009

26 de dezembro de 2009

18 de dezembro de 2009


E de repente acordou e não conseguiu controlar a imensa vontade do choro que brotara do pé de seus olhos, assim como uma criança manhosa que desaba em lágrimas após ter deixado o doce cair no asfalto, não controlava os soluços que pareciam cada vez mais fundos no peito, não sabia ao certo o que acontecia, com a vista embaçada observava a parede branca de seu quarto e um sentimento de vazio dominava sua mente, cambaleou até a porta e trancou-a para que ninguém presenciasse esta cena absurda, sentia-se como um jesus na cruz tendo que suportar todas as dores da humanidade, e mesmo não acreditando em anjos olhou para o teto implorando misericórdia, e chorou mais e mais, até que sua camisa se encharcasse e o nariz ardesse de tanto escorrer viscoso ranho, sentiu-se como os velhos que choram à toa pelos tempos passados, como as mães que perdem seus filhos prematuramente, e os enamorados que se separam indefinidamente mesmo querendo permanecer juntos, chorou pelos pobres que moram nas favelas sitiadas, pelos que passam fome e pelos que precisam de umas doses de pinga pela manhã para continuarem vivendo, chorou pela borboleta que só vive um dia e pelos animais em extinção, pela flor que amassara no dia anterior, chorou também as lembranças de quando era criança e não sabia muitas coisas da vida, chorou a vida, a morte e as incertezas e reticências, chorou também de felicidade mesmo não entendendo porque o fazia, chorou tanto e tudo que seus olhos secaram ao passo que seu quarto vinha alagado, e não sabendo nadar, morreu afogado de tanto chorar.

17 de dezembro de 2009

16 de dezembro de 2009

Dia a dia

Barata Tonta




Essas carismáticas personagens foram criadas após uma esperiência real, em que eu e um grande amigo, após bebermos todas, ficamos em estado de letargia deitados no chão, com pernas e braços pra cima, nos imaginando como baratas e tentando compreender o mundo através de seus olhinhos. Deu nisso.

11 de dezembro de 2009

10 de dezembro de 2009

9 de dezembro de 2009

No Banco


Após uma hora e pouco na fila de um banco, veio esta idéia...


7 de dezembro de 2009

O Cão Vadio

sentado na sarjeta
um cão vadio se aproxima lentamente
a cabeça baixa e os olhos fundos
em busca de um afago sem compromisso
dou-lhe alguns tapinhas sobre a cabeça
e faço um cafuné
três ou cinco movimentos
ele aceita sem tirar seus olhos dos meus
ao fim, se sacode todo
e vai embora
em busca de alguma sacola com lixo
jogada em outra sarjeta
para fazer seu desjejum

4 de dezembro de 2009

Grilo




(Seleção Grilo: duas tirinhas já publicadas na Miséria n° 2, e uma inédita)

3 de dezembro de 2009

2 de dezembro de 2009

Encontro Ancestral


Sobre a vida e a morte
meus pensamentos divagam
até o momento sem precedentes
do encontro com a barata
parada no meio da rua
Ela fitou-me rasteira
com suas antenas beliscando
as pontas de meus dedos dos pés
Fiquei exitante pensando
se mataria ou deixaria escapar
a pobre diaba que eu estava quase por me afeiçoar
Não que fosse um gesto solidário
deixar viver um ser tão inferior,
mas pra que matar assim sem pudor
alguém que não escolheu cruzar meu caminho
e queria apenas se alimentar do lixo
que deixei jogado na rua?
No fim, sem muita reflexão,
sem muito pensar e nenhum cuidado,
acabei pisando na barata
Pra garantir meu eu superior;
pra continuar um caminho tortuoso;
pensando no sabor nem sempre glorioso
da vida
e na obscuridade daquilo que parece mesmo ser o fim,
a morte

1 de dezembro de 2009

Conversa Franca

Série completamente baseada em fatos reais... as coisas que se ouve por aí... magistralmente colorizada pelo paint.