Batata Sem Umbigo

25 de fevereiro de 2010

22 de fevereiro de 2010

Tarde de algum dia de Fevereiro com Tim Maia



prenúncio de chuva, os pássaros pararam seus gorjeios, e eu aqui fumando um cigarro para passar o tempo, rotina lastimável de um dia de fevereiro...
tabalhadores pensam em seus trabalhos que querem, que devem, que têm que acabar o mais rápido possível...
meninas e meninos brincam os últimos instantes antes de suas mães esbravejarem que voltem logo para o conforto de seus lares, seus seios...
mendigos procuram algum lugar coberto, em busca de mais um penúltimo trago de pinga de um real...
todos eles emanam suores levemente adocicados que contrastam com meu fétido hálito de tabaco...
me dê motivo para sair deste sofá
me dê motivo para querer entender o caos que domina meu corpo e mente, e que não me deixa encontrar um fim no último degrau da escada sem fim que é essa vida
me dê motivo para acreditar neste sol e nas cinzas nuvens que se formam
me dê motivo para tentar esquecer as paixões do passado enterradas em porões sabor chocolate
me dê motivo para levantar e ir trabalhar, mesmo sabendo que o que se ganha é pouco e mesmo sendo muito não traria porra nenhuma de felicidade
me dê motivo para não trabalhar mais e virar mais um mendigo bebado em busca do penúltimo trago de pinga de um real
me dê motivo para sair nessa chuva


A chuva choveu mesmo havendo sol naquela tarde de fevereiro e durou uns poucos minutos.

Tristessa Nua


21 de fevereiro de 2010

O Samba da Mais-Valia

Em agradecimento ao Sérgio.

19 de fevereiro de 2010

Tristessa - Jack Kerouac




livro lindo, onde o amor por uma pessoa é colocado da maneira mais paradoxal... o amor pela droga, a mulher, a morfina, a bola, tranquilizante... o auter-ego não julga, se apaixona... o objeto amado é lírico e imprudente, não ama nada além de sua fonte de prazer, livro onde um único beijo é dado, ou melhor dois... sonhos muitos são sonhados... resta apenas perecer em meio a imundice...

não consigo compreender a força desta geração beatnik de escritores, eles são bons com poucas ou muitas coisas, palavras, falam na alma e na mente, como o entorpecer levemente do ácido ou da maconha...

Tristessa é um bom livro para se ler sem ver o tempo passar, que se foda a correria do cotidiano, Kerouac expressa em algumas sentenças o inevitável do cúpido tornado monstro devorador...
ainda quero desenhar Tristessa nua

Descoberta




2 de fevereiro de 2010

1 de fevereiro de 2010

As coisas do cotidiano

Moçada, tá difícil postar diariamente tirinhas... além do trampo noturno que me consome boa parte das minhas energias, estou me concentrando em algumas histórias longas que tenho que acabar de desenhar, algumas até de roteirizar... mas conforme eu for desenhando coisas novas pro blog, vou postando na medida do possível... no mais, estou na espera da revista miséria número 3...
que ela venha logo...

Por hora, vou dar algumas dicas pra quem estiver lendo essa postagem:

Filme: AMARELO MANGA
Gênero: Drama
Duração: 100 min.
Lançamento (Brasil): 2003
Estúdio: Olhos de Cão Produções
Distribuição: Riofilme
Direção: Cláudio Assis
Roteiro: Hilton Lacerda


Filme brasileiro que não tenta mostrar as mazelas do povo brasileiro, mostra o cotidiano e as relações humanas, sem fazer julgamento moral, sem apontar o dedo, apenas revelando o tom brasileiramente colorido. Ressalva às partes em que as personagens falam com a câmera, atingindo diretamente o espectador, geniais.

Livro: VIAGEM AO ORIENTE - Hermann Hesse

Um belo livro, curto e grosso, e desses que não dá para parar de ler até seu fim, é Hermann Hesse com seu lírismo fantástico, realístico, romântico... não importa. Reflexões sobre a memória, a história, e a transformação das pessoas ao tentar narrar aquilo que foi vivido.

Gibi: CAPITÃO PRESENÇA - Arnaldo Branco

Coletânea com o que há de melhor desse carismático personagem de Arnaldo Branco, que mostra que apologia é coisa de polícia, a pegada é fazer humor inteligente e ainda conseguir levar a reflexão, não apenas aqueles que não usufluem da cannabis, mas principalmente seus amantes de carterinha, que precisam de argumento para defender seu hábito.

Música: A MINHA VOZ ESTÁ NO AR - Facção Central

O rap de qualidade da Facção serve àqueles que não acreditam na visão de mundo da Globo e da Veja. É fácil se assustar com as letras, achar coisa de bandido e tudo mais, difícil é reconhecer a qualidade desses versos, e ver que a realidade encontrada neles atingem muito mais pessoas que as matérias do Fantástico.