Batata Sem Umbigo

31 de maio de 2010

No Mico do Astromínio

Para quem não sabe, faço parte de uma banda de amigos aqui da Unicamp. Eis alguns vídeos de uma de nossas apresentações no ano passado, mais específicamente, na Festa do Bairro do Jardim América.

Espero que gostem...

"pra quem gosta e quem não gosta
ou então até desgosta
de um som que tem um tom
meio agressivo
progressivo remissivo e digressivo intromissivo
há uma banda que debanda e nunca anda nem socorre
e sim só corre ou discorre
suas músicas
próprias e impróprias
sobre tudo e sobretudo
sobre nada"






29 de maio de 2010

O Dia


A espera, a expectativa, olhos ambiciosos e ambivalentes cruzando a monotonia caótica do ir e vir dos passantes. Atente aos ruídos mais incertos, às piscadelas ansiosas, e aos trejeitos dos braços em volta das cinturas. Cuidado com aquilo que você conhece demais, desbravando outros mundos tive a sensação de ir a Marte, batalhar guerras sem vitórias, lutas que não findam, coisa sem retoque, como a maquiagem branca no rosto da branca de neve com lábios escarlates de sangue venal. Os vampiros estão à solta e comem corações derretidos com vodka barata. O sol amanheceu em dia nublado, e voltei para casa seguro e solitários chutando pedaços de concreto pelo caminho sem direção.

26 de maio de 2010

Dica


Para os dias em que nada dá certo.

25 de maio de 2010

O Cotidiano não pára

Os funcionários do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp estão em greve, o que faz com que meu acesso a scanner para postar desenhos aqui fique um pouco comprometido, mas a produção não pára e estou adiantando trampos para a Miséria número quatro dentre outras coisitas mais. Gostaria que os estudantes do IFCH também entrassem em greve, as lutas deveriam ser comuns às categorias menos privilegiadas da universidade, enquanto isso não acontece, vou bebendo por aí. Agora algumas dicas para que não se tenha a impressão de que eu não faço nada.

Filme: Z

Informações Técnicas
Título no Brasil: Z
Título Original: Z
País de Origem: Argélia / França Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento: 1969
Direção: Costa-Gavras



Uma ótima intriga político-policial, regados com um humor cínico e cenas bélissimas. Denuncia a corrupção de um governo fascista, e coloca em cheque a necessidade de sobrevivência daqueles que vivem à margem e por isso podem ser facilmente corronpíveis.

Livro: A Queda - Albert Camus


Uma das melhores narrativas que li, um monólogo que é dialogo e que revela o tormento de um homem solitário, que ama, trabalha, tem desilusões e sofrimentos. Livro rápido e inesquecível.

Gibi: Seis Mãos Bobas (Glauco, Laerte e Angeli)



Essa reunião dos trabalhos feitos em parceria pelos talentos destes três autores é muito divertido, principalmente pelas notas explicativas que estão no final do livro. Vale a pena demais!

Música: No Opportunity Necessary, No Experience Needed - YES

O rock em sua melhor forma...

16 de maio de 2010

olhando o espelho do banheiro


confuso em meio ao labirinto do tempo
olho para trás e surpreso deparo-me
com a figura sentenciosa de eu mesmo
refletido fielmente por um espelho

o veredicto é claro
a areia da ampulheta talha os instantes
anunciados na lápide futura
é a atenciosa artesã
da vida em infinita degradação

observo meu corpo
apalpo o rosto banhado em suor
os fios da barba no queixo e no pescoço
empapam-se e liquefazem
logo torno-me imberbe
um momento depois obtenho longos cabelos
que oleosos refletem a luz
dos trezentos e tantos dias de sol
que me acordam pela manhã

um estrondo de trovão me acordará amanhã
e ventará tanto que as folhas
do álbum de memória voarão feito pombas
aves do espírito-santo
e rebentarão no incerto rochedo
nomeado por algum poeta ancestral
de futuro

não reconheço os olhos infantes à minha frente
enquanto me assusto com o negro fio
de pêlo que desce liso
de minha narina direita
único ente de minha sanidade
fragmento puro da obscenidade

agarro-me a pinça sobre a pia branca
e num movimento isento de delicadeza
arranco o pêlo e arranho
a ponta do nariz cheio de cravos
que sangram melodias odiosas
viscoso líquido invade meus secos lábios
e o gosto agridoce misturado à saliva
me evade em vômito
tufos de cabelos em meus pés
a cabeça agora raspada
beiços inchados de tapas amorosos
minha imagem refrata
em desarmonia de destinos pares

trancado no banheiro
sem perspectivas de sair
sento no vazo gelado da privada
e ponho-me a pensar e cagar
o espelho quebra em pedaços cortantes
que na semana que vem terei que ajoelhar
meu cérebro flamejante tilinta
escorrendo pelo nariz
e formando odiosa poça cor massa-cinzenta
no piso mármore falso
pego o rolo de papel higiênico
limpo o cu e a mente

13 de maio de 2010

10 de maio de 2010

Traços


E de repente fluiu dentro do peito, junto de uma vontade incontrolável de gritar, um sentido nunca antes experimentado de liberdade. E vi que tudo o que viera antes era falso e passageiro, e antes que a angústia que o fim daquele instante viesse provocar, agarrei-me à vontade e larguei tudo. Meu nome e minha cidade, meus amores e inimizades. Livre.

8 de maio de 2010

5 de maio de 2010

A mulher deitada

A mulher ia ali deitada enquanto fumava meu último cigarro, seu corpo não era perfeito e proporcional e sua pele branca demais. Sonhei com essa mulher inexistente essa noite, e acordei com sono e sem cigarros.

4 de maio de 2010